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Tomate de Indústria biológico – uma oportunidade?

Em Portugal, o tomate para indústria representa, na campanha de 2017, mais de 19.000 ha de área de produção para um fornecimento contratualizado com a indústria de cerca de um milhão e setecentas mil toneladas. Esta cultura encontra em Portugal condições propícias que se manifestam num elevado potencial produtivo e qualitativo (brix e cor).

Nos últimos anos tem-se denotado, por parte da indústria de concentrado, um interesse crescente pela produção obtida pelo Modo de Produção Biológico (MPB) de modo a dar resposta à procura por parte dos seus clientes.

As particularidades da sua produção são conhecidas. No MPB, não se recorre àaplicação de pesticidas nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados. A nível europeu, o MPB é alvo de legislação específica, o Regulamento (CE) n.º834/2007, do Conselho de 28 de Junho, relativo àprodução biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, cujo cumprimento é controlado e certificado por organismos acreditados para o efeito.
Uma das maiores dificuldades para a produção de tomate em modo biológico prende-se com a questão do histórico de ocupação dos terrenos. As parcelas autorizadas têm de cumprir uma das seguintes obrigatoriedades: sem ocupação cultural nos últimos 3 anos, não adição de substâncias não autorizadas em Agricultura biológica nos últimos anos ou ter um compromisso de conversão que durará 3 anos e posteriormente a este um período de manutenção de cerca de 2 anos.
 
O desconhecimento, por parte dos produtores, dos produtos existentes e a sua difícil aquisição constituem também um fator limitante ao desenvolvimento da agricultura biológica em Portugal. Os produtos comerciais disponíveis têm vindo a aumentar, embora nalgumas áreas sejam insuficientes ou de custo elevado, como é o caso dos adubos orgânicos e dos produtos fitossanitários homologados, dificultando um pouco a atividade no sector. Nos últimos anos tem se notado uma maior procura e um maior envolvimento por parte das empresas de adubos e produtos fitossanitários. Esta é uma resposta clara de que o mercado do biológico está a crescer.
 
O MPB está associado a uma produção mais baixa se comparado com a produção convencional. No caso do tomate para indústria isso também se verifica. Estima-se que a produção por hectare de tomate de indústria biológico possa representar entre 30 a 40% menos do que no convencional. Obviamente, essa atual estimativa de diferença na produção tem de se refletir no preço pago pela matéria-prima e no preço que o consumidor final irápagar. Atualmente o preço pago pela indústria não está condicionado por teores de brix e cor.
 
O cenário de produções baixas e de maior risco, prende-se a meu ver com algum desconhecimento e falta de experiência; o que é normal por se tratar de uma forma diferente de produzir esta produção hortícola.
 
A procura crescente do tomate para indústria biológico é algo que não se pode negar nem deixar passar em claro, associada ao também crescente consumo e procura por parte do consumidor final, apesar de ainda haver muito por fazer e aprender para dominar a sua produção, como já acontece com o tomate de produção convencional.
 
Por tudo isto, considero que a produção de tomate de indústria em MPB é uma oportunidade que merece ser explorada. Se algum dia os produtos biológicos deixarem de ser mais caros e associados a um nicho de mercado, o cenário atual pode mudar. Mas nunca uma frase popularizada num anúncio televisivo fez tanto sentido: não negue à partida uma ciência que desconhece!
 
Catarina Martins
Departamento Técnico da Agromais


     

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Catarina Martins

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